
A região oeste do Paraná possui grande potencial para fruticultura, uma alternativa economicamente viável, principalmente para Agricultura Familiar. Este tipo de cultivo pode ser feito em pequenas áreas e com alto valor agregado, de produtos in natura, às diversas formas de processamento, como polpas, sucos, doces e sobremesas.
Também é possível diversificar a produção, com várias espécies de frutas ou de cultivares de mesma espécie, e produzir de forma escalonada, uma estratégia para renda em diversas épocas do ano, conforme o engenheiro agrônomo Alessander Von Wagner Fagundes, da Cooperativa de Trabalho e Assistência Técnica do Paraná (Biolabore).
As espécies de frutíferas de clima temperado podem ser distinguidas facilmente, já que, a maioria delas quando entram em dormência durante o inverno derrubam todas as folhas. As principais espécies cultivadas no Oeste do Paraná são a uva, pêssego, ameixa, caqui e figo.
Adaptação
A adaptação de cada espécie vai depender de características microrregionais. Por exemplo, a região de Cascavel e entorno, acumula em média 150h de frio por ano, o que pode favorecer o cultivo de espécies de clima temperado e, por haver maior susceptibilidade à geada, pode limitar a produção de espécies de clima tropical, conforme Fagundes. “Dessa mesma forma, na região de Guaíra e Terra Roxa, algumas variedades de frutíferas de clima temperado podem não florescer e frutificar adequadamente de forma natural, porque dificilmente a região acumula horas de frio suficiente”, observa.
Assistência técnica
A Biolabore, através de contrato firmado com a Itaipu Binacional, presta serviços de assistência técnicas e extensão rural a produtores familiares da região oeste do estado, com técnico especializado em fruticultura e uma equipe especializada em agroindústria, assessorando o produtor do começo ao fim da cadeira produtiva da fruticultura.
Leia a seguir o texto, com outras informações, e aprofundamento técnico, escrito pelo engenheiro agrônomo Alessander Von Wagner Fagundes:
A região oeste do Paraná possui grande potencial para fruticultura, sendo uma alternativa economicamente viável, principalmente para Agricultura Familiar, já que é possível produzir frutas em pequenas áreas e com alto valor agregado - de produtos in natura, às diversas formas de processamento, como polpas, sucos, doces, sobremesas etc. Também é possível diversificar a produção implantando várias espécies de frutas ou de cultivares de mesma espécie, produzindo de forma escalonada e garantindo renda em diversas épocas do ano.
A partir de uma perspectiva didática e bem simplificada, existem as plantas de clima tropical que não toleram a geada e, as de clima temperado, que além de serem tolerantes à geada, necessitam de um acúmulo de horas de frio como estímulo fisiológico para produzir, que é o somatório do número de horas com temperatura igual ou inferior a 7,2ºC. Entre as frutíferas de clima tropical e temperado existem a de clima subtropical, que geralmente se adaptam bem em climas mais quentes sem necessidade de acúmulo de horas de frio, ou em regiões mais frias são tolerantes à geada.
As espécies de frutíferas de clima temperado podem ser distinguidas facilmente, já que, a maioria delas quando entram em dormência durante o inverno derrubam todas as folhas. As principais espécies cultivadas no Oeste do Paraná são a uva, pêssego, ameixa, caqui e figo.
A adaptação de cada espécie vai depender de características micro regionais. Por exemplo, a região de Cascavel e entorno, acumula em média 150 horas de frio/ano, o que pode favorecer o cultivo de espécies de clima temperado e, por haver maior susceptibilidade à geada, pode limitar a produção de espécies de clima tropical. Dessa mesma forma, na região de Guaíra e Terra Roxa, algumas variedades de frutíferas de clima temperado podem não florescer e frutificar adequadamente de forma natural, porque dificilmente a região acumula horas de frio suficiente.
A necessidade de horas de frio varia entre cada espécie e, para mesma espécie, varia em cada variedade ou cultivar. Por exemplo, uvas das variedades Niágara e Bordô precisam no mínimo de 100 horas de frio, a Isabel mais de 200 horas e a Cabernet mais de 400 horas de frio. Pêssego da variedade Chimarrita se adapta bem em regiões com medias de 150 horas de frio, mas o Charipá precisa de no mínimo 400 horas. Contudo, o desenvolvimento de cultivares menos exigentes em horas de frio ou cultivares precoce tem viabilizado a produção de espécies de clima temperado em toda região Oeste do Paraná.
Porém, não é só do acúmulo de horas de frio que as espécies de clima temperado precisam. Nos meses de inverno, durante a dormência da planta, há necessidade de realização das podas, que além de limpeza e condução da planta, serve de estímulo fisiológico de produção. Cada espécie tem detalhes específicos, necessitando capacitação. Porém, indiferente do conhecimento técnico do produtor, deve ser feito a remoção de ramos secos, doentes, mau localizados e ramos ladrão. Ramos mau localizados são aqueles de desequilibram a estética da planta, estão atravessados pela copa ou crescendo para o chão. O ramos com crescimento muito vigoroso, com diâmetro com 2/3 do ramo “mãe”, geralmente não produzem e são os primeiros atacados por pragas e doenças.
Além das podas, um intenso tratamento fitossanitário de inverno deve ser feito, utilizando calda sulfocálcica ou calda bordalesa, ambos produtos ecológicos, e que nessa fase, devem ser administrados no mínimo 3 aplicações em doses mais concentradas. Esse cuidado pode evitar uma extensa lista de pragas e doenças, principalmente os fungos e ácaros, muito comuns em frutíferas de clima temperado.
A calda sulfocálcica pode ser encontrada pronta nas agropecuárias, com as dosagens para aplicação de acordo a recomendações do fabricante. Também pode ser feita caseira. Basta misturar 2Kg de enxofre (pureza mínima 98%) + 1Kg de cal virgem +1Kg de cinza (opcional), adicionar em 10 litros de água fervente, mantendo fervendo por cerca de 40 minutos. Quando é feita em casa, é difícil calibrar uma dose, pois há variações de matéria-prima, tempo e temperatura no fogo e quantidade de água que evaporou durante o processo. As dosagens para aplicação pode variar entre 1% e 10%, que em alguns casos, pode ser até mais concentrada nas aplicações de tratamento de invernos de frutíferas de clima temperado.
Depois destes cuidados, em regiões com pouco acúmulo de horas de frio, pode ser necessário a utilização de um indutor de brotação, ou na versão caseira o extrato de alho, uma alternativa ecológica usada como repelente de insetos e também para quebra de dormência. Para o extrato de alho há uma diversidade de receitas caseiras, que, basicamente, utilizam 100g de alho triturado ou moído com casca e tudo, deixados de molho por cerca de uma semana em 200mL de água, óleo mineral, álcool ou até mesmo cachaça. Depois de curtido, adicionar 100mL de extrato de alho para 10L de água e pulverizar.
A Biolabore, através de contrato firmado entre a Itaipú Binacional, presta serviços de assistência técnicas e extensão rural (ATER) assessorando produtores familiares da região oeste do estado, com técnico especializado em fruticultura e uma equipe especializada em agroindústria, assessorando o produtor do começo ao fim da cadeira produtiva da fruticultura.
